LCD Soundsystem, os mais caros de sempre no Vodafone Paredes de Coura


A banda de James Murphy vai estar em Paredes de Coura. Em Abril foram cabeça de cartaz em Coachella, um dos maiores festivais do mundo

lcd-soundsystem-at-2016-bonnaroo-music-arts-festival-day-2

Começou ontem e termina no dia 20 o festival Vodafone Paredes de Coura. E o orgulho de João Carvalho, o empresário mais ligado ao festival minhoto da promotora nortenha Ritmos, não é para menos: “Temos o headliner que qualquer festival gostaria de ter: os LCD Soundsystem. É uma das maiores confirmações de sempre da história do festival de Paredes de Coura. É o regresso de James Murphy à plena forma, estamos a falar da banda que foi cabeça-de-cartaz em Coachella, que é um dos maiores festivais do mundo. O facto de Paredes de Coura fazer parte da pequena tournée dos LCD Soundsystem enche-nos de regozijo.”

João Carvalho confirma que foi difícil trazerem os LCD Soundsystem: “Se a banda decide fazer um número reduzido de concertos e está a ser disputada rigorosamente por todos os outros festivais, podem imaginar que não foi fácil. Mas conseguimo-lo e cá estão no dia 18 de Agosto.” Mas há custos. Sem querer revelar números, o empresário da Ritmos admite que os LCD foram “a banda mais cara de sempre” do festival, que já leva mais de vinte anos. “E, em termos logísticos, são a banda que tem mais pessoas e que mais obriga a uma série de recursos. Não é uma banda fácil de pôr em palco. Mas já andamos nisto há muitos anos. Vai ser um concerto memorável e vai ser um desafio para nós ter uma banda desta dimensão.”

Não é surpresa que João Carvalho confirme que os bilhetes diários mais procurados sejam os de dia 18 de Agosto, a tal noite encabeçada pelos LCD, embora 80% ou 90% dos acessos mais vendidos sejam os passes gerais para os quatro dias do Vodafone Paredes de Coura.
Pensado para um número máximo de 23 mil bilhetes por dia, João Carvalho considera que “o êxito desta edição está 100% garantido”. Para isso, também contribui o público cada vez mais internacional do festival, oriundo de numerosos países, sobretudo de Espanha, Inglaterra, França, Alemanha e Bélgica.

Cartaz de orgulho

Mas a programação da edição deste ano do festival está longe de se reduzir aos LCD Soundsystem. João Carvalho salienta, por exemplo, o facto de a única data europeia dos Portugal. The Man [dia 20 no principal Palco Vodafone] ser agendada para Paredes de Coura – “o que demonstra carinho por nós” -, orgulha-se da estreia em palcos nacionais dos Cigarettes After Sex [dia 20 no secundário Palco Vodafone FM], e deposita grande confiança na qualidade das actuações dos Chvrches e dos pós-punks Sleaford Mods.

“Temos um cartaz que nos enche de orgulho. Nem sempre é fácil, porque temos um festival que coincide com outros cinco na outra ponta da Europa”, conclui João Carvalho que todos os anos tem de enfrentar eventos sonantes como este ano os festivais de Reading e Leeds (em Inglaterra), o Rock en Seine (em França), o histórico Pukkelpop (na Bélgica), ou o Lowlands (na Holanda).

Pela comodidade do festivaleiro

O Vodafone Paredes de Coura perfilha da mesma filosofia de outro grande festival indie dinamizado pela Ritmos, o portuense NOS Primavera Sound, em que o bem-estar dos festivaleiros está acima da massificação. Tem sido assim que ambos os eventos têm conquistado a fidelização do seu público.
Para isso, é necessário fazer alguns remendos todos os anos. Este ano, “cortámos nas gorduras no anfiteatro para que mais gente tenha visibilidade para o palco”, diz-nos João Carvalho, que acrescenta que “o festival aumentou em espaço mas não queremos vender nem mais um bilhete do que no ano passado [quando esgotaram os passes gerais pela primeira vez na história do festival]. O que pretendemos é criar mais comodidade às pessoas que nos visitam”.

E houve um reforço das infraestruturas? “Temos um número de chuveiros bastante superior ao do ano passado e com mais qualidade”, que triplicou. Foram colocados nas casas de banho “espelhos e secadores de cabelos. O centro de carregamento de telemóveis é também maior. Cresce também o número de casas de banho ligadas ao esgoto. Não que as coisas tivessem corrido mal em edições anteriores mas queremos sempre melhorar aquilo que já foi feito”, salienta.

Um festival de afectos

23 é o número de anos que separa o Vodafone Paredes de Coura que hoje começa e a primeira edição de sempre do festival. Entre um festival que tem no cartaz um nome como os LCD Soundsystem e um evento local organizado por um grupo de jovens da terra, um dos quais João Carvalho, que arrancava em 1993 com um programa dominado por bandas alternativas nacionais, há seguramente grandes diferenças. Mas João Carvalho encontra um elo comum: “o afecto. O afecto é o mesmo. Este é um festival de afectos, fazemos as coisas com o mesmo entusiasmo com que fazíamos há 23 anos. Temos o mesmo rigor no cuidado com o público, só que com outro orçamento que na altura não tínhamos.”

Em 1996, o Festival de Paredes de Coura ganha um cunho mais internacional com nomes mais sonantes, como os Shed Seven e as Raincoats. Mas é nos anos seguintes que o festival reforça de forma irreversível os seus cartazes internacionais que, excluindo uma fase efémera dominada pelo nu-metal em 2001 e 2002, se apega à sonoridade indie que lhe faz hoje a imagem.

Imaginaria João Carvalho em 1993 que o festival crescesse tanto nas décadas subsequentes? “Claro que não. Quando fizemos a primeira edição, o objectivo era passarmos um bom bocado com o nosso grupo de amigos. Em nove dias, contratámos bandas, fizemos cartazes, colámos cartazes com cola nossa. Na altura, nenhum de nós tinha carro, tivemos de o pedir emprestado às associações da terra. Contratávamos as bandas nu-ma cabina telefónica e divulgámos o evento em nove dias, numa altura em que não havia internet, nem redes sociais, nem as armas de promoção que há agora.”

Outro elo ao longo de todos estes anos do festival é o magnífico anfiteatro natural da Praia Fluvial do Taboão, que cria facilmente um ambiente altamente caloroso em torno das bandas que actuam no palco principal. “O festival faz parte daquele anfiteatro natural que é a nossa imagem de marca, tal como a coerência do programa”, assinala João Carvalho.

Segue-nos no facebook: