Chvrches aquecem a noite do adeus no Vodafone Paredes de Coura


No último concerto no palco principal do Vodafone Paredes de Coura, os britânicos foram os únicos a chamar a atenção dos festivaleiros para os perigos do mosh fora de contexto

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Esta tarde, enquanto caminhávamos pelo campismo, cruzámo-nos com um grupo de amigos que, como um autêntico culto de pregadores, repetia ao megafone: “Não vamos fazer mosh em The Tallest Man on Earth. Ontem Paredes de Coura viveu momentos lamentáveis… Deixem entrar a música no vosso coração”.

Durante o concerto do sueco, que não se cansou de tratar os portugueses por “you sweet, sweet people”, de facto não se registaram movimentações nesse sentido. Mas o mesmo não se pode dizer da atuação dos escoceses Chvrches, que encerraram a programação do palco principal de Paredes de Coura.

A banda de Glasgow pratica uma synth pop algo melodramática, servida pela voz & postura menineira de Lauren Mayberry (os seus agudos algocartoonescos levam alguém a exclamar, atrás de nós: “Panda, panda!” Pensamos que se referia ao canal). Mesmo assim, alguns festivaleiros decidem que é boa ideia praticar mosh ao som destas canções super pop. E, justiça lhe seja feita, Lauren Mayberry é a única artista (dos concertos que vimos) a reparar na situação e chamar a atenção dos “mosheiros” para o facto de estarem a magoar as pessoas junto às grades. “Podemos divertir-nos de forma mais ajuizada?”, sugere.

Miss Mayberry lembrava-se, também, de ter tocado aqui “há exatamente dois anos”, e vai contando que a sua banda tem um novo álbum, Every Open Eye. Entrando confiante e fresca (ao contrário da nossa equipa de reportagem, que já vai acusando as horas de “rodagem”), a vocalista deu o seu melhor na defesa de temas como “Never Ending Circles”, “We Sink”, “Follow You”, “Make Them Gold” ou “Empty Threat”, aplicando a sua voz cítrica às batidas bojudas disparadas pelos companheiros, Iain Cook (que também toca guitarra e baixo) e Martin Doherty.

No entanto, depois de quatro dias em que alguns dos concertos mais celebrados foram de bandas “suepr rock” como The Oh Sees ou King Gizzard and the Lizard Wizard, os Chvrches foram um ponto final algo desajustado e murcho.

A banda esforçou-se para cativar a plateia – Lauren recolheu uma bandeira portuguesa das mãos dos fãs e deu os parabéns a Portugal pela vitória no campeonato europeu de futebol; tocaram, como habitualmente, uma versão de “Bury It”, dos Paramore, conversando com os espectadores sobre esse e outros temas. Mas, a avaliar pelas clareiras frente ao palco Vodafone, será justo dizer que os festivaleiros desejavam uma despedida diferente neste derradeiro dia de música no anfiteatro natural de Coura.

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