Cage the Elephant “Este é o nosso festival preferido em todo o mundo” sobre o Vodafone Paredes de Coura


O voto popular não ditará outra coisa: é da banda norte-americana o concerto mais aclamado da terceira noite courense. O amor de Matthew Schultz e companhia por Coura foi devidamente retribuído

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Era vasta a multidão que esperava pela entrada dos Cage The Elephant, repetentes em Paredes de Coura e comprovado fenómeno de culto em Portugal. As primeiras palavras da banda em palco, antes de soar qualquer instrumento, não poderiam ser mais inequívocas: “Este é o nosso festival preferido em todo o mundo”. Não é conversa de chacha: na memória destes nativos do Kentucky está uma actuação extraordinariamente bem recebida aqui mesmo no Taboão em 2014 e, aparentemente, o povo nacional também não está esquecido. Os Cage The Elephant entram com a confiança em alta e o público está ganho à partida.

Com estas condições garantidas, os Cage The Elephant não dão um passo em falso: oferecem a Paredes de Coura mais de uma hora e meia de êxitos “alternativos” (o povo entoa-os sem hesitação) e são apaparicados como reis: cada vez que o guitarrista Brad Shultz desce à primeira fila – e foram várias – recebe em troca um massajamento capilar, abraçado e cutucado que é pelas mais intrépidas admiradoras.

Crowd pleasers natos, os americanos têm no seu vocalista Matthew Shultz (irmão mais novo de Brad) uma espécie de Eddie Vedder acelerado, capaz de saltar até nas baladas mais vagarosas, adepto de correrias numerosas de ponta a ponta do palco. Poderá dizer-se que a irmandade Shultz representa 50% do sucesso de uma banda que os nenhum festival português, excepto Paredes de Coura, chamou ao seu elenco – não deverá tardar uma estreia noutros palcos, por cá.

Musicalmente, é de riffs de guitarra pronunciados, refrões para o povo cantar e aquele arredondamento que só os americanos sabem dar que os Cage The Elephant são feitos – isto é rock clássico, isto é garage, isto é new wave, isto até é um pouco punk, por vezes; e isto é, no fundo, pop.

O arranque dá-se com “Cry Baby”, de Tell Me I’m Pretty, o quarto e mais recente álbum da banda, depois há rock muito Stones (na veia baladeira de “Too Late To Say Goodbye” ou na evocação da era Brian Jones de “Cold Cold Cold”), uma curiosa mistura de Pixies com Weezer chamada “Aberdeen” (vinda de Thank You, Happy Birthday, de 2011), uma espécie de hino de “prom movie” em “Trouble” e, já perto do fim, uma “Come a Little Closer” (de Melophobia, 2013) que é presenteada com a reacção mais entusiástica da noite.

Antes da sequência final, o teclista avisa que a banda tem de apanhar um avião para a Polónia “dentro de uma hora” (numa hora ninguém se põe no Porto, dizemos nós, mas fica a intenção) e o remate derradeiro é potente e põe Coura aos saltos: primeiro com a melosa “Cigarette Daydreams”, depois com a postura mais desbragada de “Teeth”. Ganharam todos.

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